O incentivo

20 Fev

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Mostra o que melhor sabes fazer. Liberta os sentimentos enclausurados, quebra as correntes do correto. Tira a forma dita correta apenas com um grito de alma por quem passa, vai, mostra o que melhor sabes fazer. Segue o teu instinto e destrói o que a teu ver não faz sentido, parte, rasga, quebra, queima, atira, vai, mostra-te.

Agora já sem forças, sem conseguires falar ou andar, contempla a tua obra, são meros minutos para que o correto acabe contigo por soltares o teu verdadeiro ser, agora fragilizado, és tomado por forças e não entendes o porque, óbvio, para ti está tudo bem, o correto é ser, porque não podes tu então ser? Porque é que não podes sê-lo, quando não magoaste ninguém? Só por partires, rasgares, quebrares, queimares, atirares, aquilo, que ambos sabemos ser teu, e quando não é teu, tu sabias não estar na posse de mais ninguém, porquê? 

És levado para o inexistente, uma lágrima é a tua resposta a tudo,  pensas porque foste tu ser, porque tiveste que sê-lo quando mais ninguém o é?

Olhas para mim e então acusas-me, dizes ser eu o causador dos teus problemas. Pensa, lembra-te de quem sou, não passo da demência, da insânia , eu sou a tua loucura, e se te incentivei, foi a teu pedido, quiseste entregar-te a mim de corpo e alma, o causador dos ditos problemas és tu, quiseste ser quando sabes que não podes pois a sociedade não o permite, pois a sociedade não o compreende, nem quer.

Faz como eu, solta gargalhadas, afinal, estamos bem, já me envolveste por completo no teu existir, era o que mais querias, então solta gargalhadas e mostra, mostra que és!

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Prisioneiro no reino de Pensar

14 Fev

Tentai demover-me das minhas ideias, porque eu já não as suporto, tentai mostrar-me a grandiosidade do silêncio, pois as ditas esforçam-se para fazer de mim o nada, soltam grunhidos aterradores que me mostram as memórias infames do passado e me prevêem as amarguras do dito meu futuro.

  Sinto-os corroerem-me o corpo e alma, e mesmo não querendo, entrego-me de mão beijada.

Se antes tinha o poder total do reino de Pensar, agora sou prisioneiro dos que com o tempo se apoderaram do meu trono.

  Estou petrificado numa escuridão demente, não me acorrentaram pois não valia a pena, nunca saberia o caminho da soltura.

  Os espelhos da alma não reflectem a mesma, então ela, eterna companheiro do corpo, sem a visibilidade diária de si mesma, sente-se depressiva e não se consegue mostrar ao mesmo. O corpo então, privado do que o faz mover, fica demovido, e eu, resultado da sua cumplicidade com ela, que agora não existe, paro.

  Resta-me as lágrimas que mostram a minha dor, e a fé na sapiência e bondade que você rege. Embora tenha fé  em si, não escondo, não sou simpatizante da mesma, por nada nem ninguém, mas se sois a única solução ao meu problema, tenho em si a minha fé excepcional  depositada. Tentai libertar-me desta história perdida, tentai libertar-me dos grunhidos, Coração, vós a quem peço ajuda, tentai. 


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A regra do ser

12 Fev

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A minha vida inundada num turbilhão de problemas, se no ser vem a regra “o ser feliz”, então o que sou?

Se no fim de uma rotativa de complicações, a única coisa que me deixa num parecer de felicidade, és tu, e se tu, afirmas que eu não sou ser, parece que para além de não ser, nunca tive a precessão de ver…

… nunca a tive, porque para sentir que és a razão de existir, quando pelos vistos no teu parecer não se parece nada assim, a mim parece-me que tu não és e nunca foste ser numa presença minha…

… afastas essa hipótese, porque a aparência no teu ver é essência, e no meu ver, não tens a decência de me encarar.

És tristeza e depressão, és, claro que és, por me fazeres crer que és ser por mim, enquanto não és ser, e então, eu que era por ti o que dizias ser por mim, deixo de ser…


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Seras sempre o existir

7 Fev

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Somente tu, tu mar, de um tom majestoso, tu que encaras a terra de cabeça erguida, que enrolas as tuas ideias no areal de maneira tão sincera quanto deves e podes, és alma eterna do meu ser, do meu bem estar, do saber e do melhorar. Liberas de tal maneira a incompreensão do existir, que tudo parece mais fácil para os que se dão como perdidos por caminhos árduos. 

A ti libero o meu corpo pois da alma já fazes parte, regalo-te a honestidade e simplicidade de mim, a maturidade para o entender e a imaturidade para a ajuda,  faz de mim búzio de maneira a que possa absorver o teu saber e aos outros transmiti-lo, liberta os sons para mim, mostra-te a quem te quer ver pois há quem te procure eternamente e eu, que a procura já deixei passar basta-me o compreender e o aplaudir-te.

Mar, que com avinco serás sempre o mar, o saber, o existir.

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Verdadeiramente eu

23 Jan

Verdadeiramente eu

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Quero dar-me ao luxo de ser verdadeiramente eu para toda a vida, quero amar ao extremo sem o complexo apego.

Soltar-me da confusão quando mais desejar, debater comigo mesmo tudo o que me ocorrer nos sítios que mais me agradam como a praia, mesmo nos mais frios dos Invernos, saborear a areia delicada por entre as mãos, ouvir a opinião das ondas a esbaterem na areia quando preciso de respostas …

De nada me vale sentir sentimentos perdidos e que me tentam perder, sentimentos que nem o nome merecem pois não me ajudam, apenas perturbam.

Ter amor a quem sou é a maior conquista que já obtive e não a desprezo por nada, aos que não sabem o que isso é, sou sincero, não me dá pena, apenas gozo, têm tudo na mão e propositadamente descartam o seu verdadeiro ser…

Vivo sendo eu  no presente e  espero continuar numa linha recta até ao futuro, e terei sempre a aquela nostalgia das vividas mestrias conquistadas no passado.

Como uma vela lanço a chama até que tenha que me apagar, ou talvez pare no tempo só para vivenciar a mestria de mim mesmo mais um pouco…

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Sombras

17 Jan

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Ganhei a percepção da realidade, vivo rodeado de sombras, o quão tristes são, todas perdidas sem rumo, todas vagueando pela vida até tombarem para a morte, como conseguem viver? Como têm gosto em fazê-lo? Como fui eu uma sombra?

De sombra materializei-me a objecto, deixei de depender de uma fonte de luz, facilidade não foi sinónimo da situação, mas no entanto, passei a existir e não a depender do existente.

Existo, sou, sei o que sou, mas sou utensílio de mãos que para mim serão sempre estranhas, que apenas me usam e de seguida me descartam, concluo que afinal de contas, não difiro assim tanto de quando era sombra.

Ganho forças, liberto-me de mãos estranhas, e de objecto, entro numa metamorfose, que me torna um ser, livre de uma luz que me dite a vida e de mãos que se aproveitam de mim, sou ser, sinto que o sou, e percorro a vida a uma velocidade estonteante.

Reparo hoje que sou único, as sombras conformam-se em ser vulgares, os objectos também, mas eu, o que sou eu? Eu entendo ser um ser que depende afinal da vida…

Então percebo, a luta persistente de me melhorar a mim mesmo, fez de mim algo de que me orgulho, vi que a luz afinal não era assim tão brilhante, que quem comanda as mãos estranhas me estranhou a mim, que sou ser, e ao sê-lo, dependerei sempre da vida, até que ela me entregue à morte.

Mas orgulho-me de dizer que dependo apenas da soberba vida que é a matrona do existir, vou evoluindo até que me permita e eu permito que ela me guie, juntos até ao final, companheiros um do outro, apenas nos despedimos ao confrontarmos a matura e sapiente morte.

Sombras que se deixam guiar por uma luz que não brilha tanto afinal, vão enfrentar uma escuridão tenebrosa, pois a luz, também controlada pela matrona vida, um dia, tem o seu fim.

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Numa realidade tao minha

9 Jan

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Ao acordar numa realidade tão minha, entendo ser, entendo existir. Ao abrir os olhos, foco a consciência para a tão colorida Nebulosa que me agarra e tenta puxar para junto do seu ser pacífico e espiritual, fruto de uma vida de sabedoria.

Digo não e solto-me, eu quero viver, eu quero sentir, eu quero mudar e crescer. Todo o brilho que me seduzia desvanece e surge uma tenebrosa escuridão que se alimenta do pior de mim.

Estou perdido no escuro, de todos os sentidos surgem memórias que julgava ter escondido nos mais reservados cantos da minha mente, obrigam-me a fechar os olhos para que não sinta a dor que me tentam causar. Aos meus olhos deixo as lágrimas delicadas que os acompanham para que não se sintam sós, ocupo-me de dar visão ao coração para que consiga encontrar um caminho.

Após um longo tempo de busca pelo caminho, ganho a percepção de que o mesmo não existe, isto é a alternativa à Nebulosa, as memórias ingratas com o tempo apagadas, as trevas com sapiência perdem força, e surgem os vividos mantos de estrelas que embalam a minha realidade.

Navego a paz e voo a maturidade, uma lua faz com que me apaixone por si, um sol faz de mim guerreiro do respeito e dos valores, sou mais um herói.

Há tempo para quase tudo, embora seja pouco, não na minha realidade, aqui libero o tempo de trabalhar, aqui ergo o infinito do melhor do meu ser, o pior libero junto do tempo. É agora que percebo, construí a minha  Nebulosa, construí-a para mim, e mesmo não querendo, também eu um dia tombo, mas ela ergue-se perante de quem a procura, e eu faço de uma realidade tão minha, uma realidade para todos.  

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O menino que contemplava

30 Dez

Menino Contempla-os-sons, merecedor do seu nome, um dia sem contempla-los, tal coisa era impossível.

Uma criança admirável, de olhos fechados, abria o seu tão curioso dom auditivo, e voava sempre junto de uma imaginação só sua, mas só sua, pois de tantos meninos, sabia ser o  único que a entendeu, que entendeu o valor de voar para onde queria e quando queria, de navegar pelos mais belos oceanos, de escalar majestosas montanhas… um menino feliz.

 Tão feliz consigo mesmo, não o aparentava ser, enquanto os restantes brincavam entre todos, o menino feliz, sempre no seu canto, travando as mais grandiosas batalhas com dragões enormes, mostrando-se bravo perante as donzelas… aos olhos vulgares, parecia apenas um menino triste e envergonhado no seu canto.

 Certo dia, uma bola cai junto de Contempla-os-sons, todas as crianças que jogavam param para ver a sua reacção, o que iria ele fazer, será que iria chutar a bola? Será que pegava na bola e a traria até eles ? Passou-se bastante tempo, e ele não mostrou qualquer reacção, ninguém entendia, porque?

 Passaram-se dias e dias, e mesmo não sendo propositadamente, todos em redor esqueceram-se do Contempla-os-sons, todos a excepção de Redopia e o mesmo decide ir falar com o Contempla-os-sons.

 - Olá… – diz Redopia com um sorriso de orelha a orelha.

Contempla-os-sons, embora quisesse responder, as palavras não saiam dado as nervos, afinal, nunca nenhum menino falara com ele.

- Não te preocupes. – disse Redopia num tom muito amável.-Sabes, eles gostam de ti, só não sabem como falar contigo…

Contempla, não percebia, porque era tão difícil para os outros meninos falarem com ele? Redopia continuava:

- Eu sei, é bom fechar os olhos e esquecermos-nos de tudo, partir para outro lado, e brincar-mos com dragões e tudo, é fantástico ….

Contempla-os-sons, que antes não conseguira falar, num ápice pergunta-lhe:

- Também consegues fazer isso!? – perguntava Contempla. Para ele era uma noticia estrondosa, pois julgava ser o único capaz de fechar os olhos, ouvir os sons, e ver o que mais ninguém via.

- Sim, sabes, somos muito parecidos, eu também me sentava no meu canto, a imaginar, mas também gostava de ir brincar com eles, até ao dia em que ganhei coragem e fui, sabes, é bom ouvir e voar, mas tu, tens que viver com tudo o que tens, eu não posso abrir os olhos de novo, fiquei cego a uns tempos, mas continuo a viver a vida de olhos abertos, sempre a brincar com eles, e sempre com o meu tempo para fechar os olhos e voar …  – após Rodopia dizer isto, ambos permaneceram calados até que Rodopia diz:

-Vamos? – diz Rodopia esticando a mão a Contempla para irem brincar.

-Sim… – Contempla dá-lhe a mão, com medo, abre os olhos devagar, e caminha em pé de igualdade com Rodopia até junto dos restantes meninos.

Menino Contempla-os-sons, embora feliz com o seu contemplar, já lhe era possível passar dias sem fazê-lo e apenas com os restantes meninos brincar, mas todos os dias, antes de ir brincar, Contempla fecha os olhos juntamente com Rodopia, e os dois, voam junto dos sons tão próprios das suas aventuras pelo imaginário.

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A incerteza do amor

30 Set

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É curioso como aprendemos sempre algo com a vida de dia para dia, se num dia explicamos o que é o amor com tanta certeza, no dia a seguir já não temos explicação para a incerteza do mesmo. Mas o amor é interessante, na minha opinião, o problema mais complicado e ao mesmo tempo mais transparente que a natureza nos deu, em que cada um o sente e vive, como cada um o sabe fazer. Era de maior hipocrisia descrever o amor, pois tem sempre uma descrição tão igual e diferente

de pessoa para pessoa, um pouco como a chuva, que aqui pode ser breve e ali longa, que cá pode ser fria enquanto lá quente,

mas que no entanto não deixa de ser chuva, no entanto não deixa de molhar.

O ser humano é o verdadeiro quebra-cabeças no problema, repare-se, que mesmo a chuva molhando, e o ser humano tendo o instinto de se abrigar, terá sempre breves momentos na vida em que caminha por entre a mesma sem qualquer preocupação, estando triste, alegre, divertido, pensativo, de alguma maneira o fará seja em que fase da vida, em criança, adulto, idoso…

É chegada a parte em que alguém vai ter a ideia de dizer para si mesmo que eu, o autor do texto, então afinal, também sou hipócrita por descrever, aquilo que julgo ser o amor. Na verdade, não, porque também não o sei descrever, sei que cada um o sente e vive à sua maneira, como todos sabem que cada chuva tem características diferentes, apenas descrevi o quanto diferente o é de alguém para alguém, mas se acham que fui hipócrita, então eu pergunto com um sorriso, alguém sabe ao certo o que é o amor? E quanto ao aprendemos com a vida, todos nós mais tarde ou mais cedo aprendemos, que amor tanto pode ser o problema como a solução, mas de qualquer das maneiras, será sempre um quebra-cabeças …

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